Advogando Por Woody

•29 de julho de 2014 • 2 Comentários

srtydrtytryRepulsa é o que alguns sentem por Woody Allen, por causa de sua polêmica vida pessoal (envolvimento amoroso com a enteada, acusação extrajudicial de abuso sexual pela filha) ou devido à natureza idiossincrática dos filmes que autora a cada ano (bastante dialogados, de tendência intelectualizada).

Nutro semelhante sentimento, não pelo novaiorquino neurótico que legou às telas preciosidades do quilate de A Rosa Púrpura do Cairo e Hannah e Suas Irmãs, mas pela estupidez de críticos renomados, empregados por publicações famosas, que insistem em abusar da autoridade e do apelo público proporcionados pelo cargo para a) destilar diatribes venenosas que mais parecem provocações de trolls a infestar redes sociais como o Filmow e b) subliminarmente desqualificar leitores que ousem ter um ponto de vista contrário.

O recém-lançado (nos EUA) Mágica ao Luar aparenta ser um divertimento leve, na linha de Scoop e Meia-Noite em Paris. Inofensivo. Ocorre que há gente capaz de se ofender por coisas assim. Aliás, “ofender”, no caso, soa como eufemismo. A desculpa perfeita para jogar no lixo os últimos 20 anos de carreira de Allen (sem abrir exceções para Tiros na Broadway, Desconstruindo Harry, Poucas e Boas, Match Point, Vicky Christina Barcelona, Meia-Noite em Paris e Blue Jasmine) enquanto deixa a entender que só teimosos pretensiosos fingem ainda encontrar qualidades no trabalho dele.

Ninguém está argumentando que o Allen do novo milênio preserva vigor criativo equivalente ao evidenciado nas décadas de 70 e 80. A falácia está em lançar mão de afirmações generalizantes com o intuito de colocar duas dezenas de longas (tão distintos entre si em gênero, qualidade e atributos estilísticos quanto Igual a Tudo na Vida e O Sonho de Cassandra) na mesma piñata para ser arrebentada a pauladas, desferidas por um profissional cujo salário deveria remunerar o fornecimento de opiniões fundamentadas via escrita civilizada.

Scarlett, Musa Sci-Fi

•24 de julho de 2014 • Comentários desativados em Scarlett, Musa Sci-Fi

Há nove anos, ela estrelou um filme respeitável do Sr. Michael Bay, A Ilha, infelizmente ignorado nas bilheterias. Em 2014, há poucos meses, desconstruiu a própria imagem no hipnótico Sob a Pele e, a partir de amanhã nos EUA, vai expandir sua potência cerebral na estreia do mais novo projeto de Luc Besson, Lucy.

Um blockbuster ultracomercial americano, um cult situado na Escócia, um híbrido de ascendência francesa. Scarlett Johansson está reservando para si um nicho eclético no gênero da ficção científica, complementado por Ela, O Grande Truque e participações especiais no universo Marvel.

Trailer: Êxodo – Deuses e Reis, de Ridley Scott

•8 de julho de 2014 • Comentários desativados em Trailer: Êxodo – Deuses e Reis, de Ridley Scott

“Enxugue Suas Lágrimas, África”

•3 de julho de 2014 • 2 Comentários

Esta é uma música muito especial para mim. Ouvi um pequeno trecho dela pela primeira vez durante a apresentação dos clipes dos indicados na categoria de Melhor Trilha Dramática Original no Oscar ’98. Os sons tipicamente africanos exerceram um fascínio imediato – naquele tempo eu nem sequer sabia que se tratava de parte da trilha de uma obra de Spielberg. Perdeu para a febre Titanic, o que dispensa comentários.

Emoldurada por uma emocionante melodia de John Williams, a letra original no dialeto Mende (língua do oeste africano, falada principalmente na Libéria e em Serra Leoa) foi inspirada por e adaptada de um poema homônimo escrito por Bernard Dadié no ano de 1967. A canção encontra sua voz na mezzo soprano Pamella Dillard e num coral de crianças – que responde sozinho pela segunda versão colocada na última faixa do CD, Dry Your Tears, Afrika (Reprise).

Bee ya ma yee ah,
Bee len geisia bee gammah.
Bee ya ma yee ah,
Bee len geisia tee yamanga.

Baa wo, kah ung biah woie yaa.
Baa wo, kah ung biah woie yah, yah.

Oo be ya ma yee ah,
Bee len geisia tee yamanga.

Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Bee ya ma yee ah,
Bee len geisia tee yamanga.
Mu ya mah mu yeh,
Bee len geisia bee gammah.

Oo bee ya mah yee ah
Bee len geisia tee yamanga.
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Mu ya mah mu yah,
Mu ya mah mu yah,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Be ya mah yee ah,
Bee len geisia tee yamanga.
Be ya mah yee ah,
Bee len geisia bee gammah.

Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh,
Mu ya mah mu yeh, Afrika.

 

De Spielberg para Williams (impresso no interior da capa do CD):

Music is not only an integral but an essential part of my life. Sometimes listening to a good film score inspires my imagination even more often than seeing someone else’s movie. That’s because music allows free association. Sometimes film music is so specific to the identity of a cultural phenomenon, like Star Wars, Jaws or The Godfather, that there is no way to listen to those scores and not see robots, fish and cannolis. Other scores are less remembered for their perfect fit, and like classical music, allow the listener his or her own personal interpretations. Fortunately, John Williams has written both kinds of music and inspired all of us along the way.

Early favorite composers of mine, like Bernard Herrmann, Alex North and Dimitri Tiomkin were so defined by their musical habits that you could clearly imagine the films they wrote for. Bernard Hermann’s ‘North By Northwest’ was vintage Hitchcock, Alex North’s ‘Spartacus’ could not be mistaken for anything less than tortured genius. Dmitri Tiomkin’s scores for ‘The Rise and Fall of the Roman Empire’, ‘The High and the Mighty‘ and ‘The Alamo‘ sounded like Tiomkin pictures.

The outstanding virtue of John Williams’ gifts has always been John’s selfless ability to create unprecedented sounds. Like the great character actors John Barrymore, Paul Muni and Dustin Hoffman, who would never impose a single personality on multiple roles, John Williams has the gift to become any character necessary to retell with music the story of the film he is working on. Amistad marks our 24th year in partnership and our 15th film together. And, after all that time, John has never failed to surprise me, uplift me or make me look good.