5 Elementos Esperados de Prometheus 2

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→ Ambientação: o inferno congelará antes de acatarem a seguinte sugestão. Imaginemos esta continuação estrelada por dois atores – Michael Fassbender e Noomi Rapace. Apenas David (com sua cabeça colada ao corpo, de preferência) e a doutora Elizabeth Shaw desbravando o cosmos e, quem sabe, explorando o planeta-lar dos Engenheiros, interagindo com várias espécies extraterrestres. A desconfiança (e dependência) mútua entre ambos criando uma fonte constante de tensão. Ridley Scott poderia flexionar seus músculos como inventor visual. Expectativa realista? Só em sonhos. Ousado demais para um arrasa-quarteirão popular. Ademais, ainda há o que se explorar na lua LV-223, palco dos eventos de Prometheus – missão decerto destinada a um novo grupo de personagens.

→ Engenheiras: a série Alien sempre tratou do feminino, literal e simbolicamente, abarcando pontos de discussão que vão desde o heroísmo da Tenente Ellen Ripley, passando pela maternidade (introduzida em Aliens – O Resgate e pervertida nas duas continuações seguintes), chegando até a pontos controversos como a suposta fobia à gravidez e ao ato de dar à luz (incorporados ao grotesco ciclo de vida do xenomorph). Por que Scott deixaria de lado essa temática ao aventurar-se pelo universo de Prometheus? Seria interessante descobrir que a raça dos Engenheiros consiste, na verdade, num matriarcado. Afinal, em termos anatômicos, os gigantes albinos parecem bastante másculos, sem sinais de hermafroditismo. De qual ventre eles saíram? Eles poderiam ser organizados como abelhas, onde os machos fazem o trabalho manual, enquanto a fêmea ostenta a coroa. Um embate entre a religiosa Elizabeth Shaw e um Deus-mulher? Nada mais apropriado, considerado o contexto.

→ Flashbacks: uma das controvérsias levantadas pelo primeiro filme foi o casting. Qual a lógica de selecionar gente do porte de Charlize Theron, Guy Pearce e Patrick Wilson para então descartá-los com relativo pouco tempo em cena? Damon Lindelof parece não ter piedade quando o assunto é dar cabo de suas próprias criações (ou deveria creditá-las a Jon Spaiths?). O caso de Theron é o mais grave – uma das melhores atrizes de sua geração, oscarizada e famosa, presenteada com um papel medíocre. Ela e Pearce poderiam reaparecer nas memórias do androide David ou em gravações da empresa Weyland. Wilson seria evocado nas reminiscências de sua filha, Shaw. Rever os rostos desses atores equivaleria a valorizar, retrospectivamente, a contribuição limitada deles no longa de 2012.

→ Respostas: Scott confiou demais na imaginação das plateias. Quem se familiarizar com o livro The Art of Prometheus e o documentário The Furious Gods entenderá que a prevalência da sugestão, da alusão em detrimento da exposição mastigadinha (seguindo os passos do Alien inaugural) foi uma decisão criativa consciente desde a pré-produção, o que parece ter redundado num tiro pela culatra. Acabou desagradando a quem deseja estar ciente de cada fato a todo momento enquanto assiste a um filme. Para evitar nova enxurrada de acusações de furos no enredo ou vagueza excessiva, terá de aclarar assuntos e acontecimentos pincelados no capítulo prévio. Imaginar hipóteses por si mesmo, enfim, participar da construção da história, saiu de moda. Pensar após a sessão é exclusividade pra filme de arte iranianos. O povo quer respostas! Exemplos: a praga que atingiu os Engenheiros há cerca de 2000 anos, o porquê de só um ter conseguido se salvar na câmara de hibernação, o exato motivo de o último Engenheiro intencionar dirigir-se à Terra, as razões para a rebeldia de David, o propósito do líquido negro, para que eram utilizadas as urnas contendo a referida substância e por que armazená-las em LV-223 etc. Jack Paglen e Michael Green devem preencher as “lacunas” sem esvaziar o trabalho de Lindelof e Spaiths.

→ Tensão: uma medida populista. Prometheus favorece um tom épico-evocativo-misterioso que o distanciou do suspense claustrofóbico do clássico de 1979, ao mesmo tempo em que criou para si uma identidade particular, a qual acho fascinante. Lembra uma versão dark de Star Trek, fundada na exploração espacial e na especulação científica. Se formos levar em consideração o burburinho registrado na internet, houve quem sentisse falta de uma voltagem superior no quesito suspense/choque/violência. Scott poderia suprir essa demanda. Caso o estúdio tente forçá-lo a entregar um corte PG-13, o poder da sugestão e trucagens de edição suprirão a escassez de sangue. O Oitavo Passageiro tem menos gore do que muitos imaginam, momento do “parto” à parte.

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~ por Gustavo H.R. em 27 de março de 2014.