Será Desta Vez, Shy?

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Shyamalan está prestes a invadir os multiplexes com outro blockbuster feito sob encomenda, entupido de CGI, capitaneado pelo clã dos Smith.

Áureos os tempos em que Shyamalan, por mais divisivo que fosse, era reconhecido como autor, introspectivo, independente. Suspeito que o desastre de relações-públicas acarretado por A Dama na Água – quando a crise de estrelismo agudo o fez cuspir no prato em que comia, queimando pontes nos bastidores da pré-produção do mesmo filme – ainda esteja forçando-o a dançar pianinho como um mero empregado nas mãos dos grandes estúdios avessos a riscos com caça-níqueis de apelo popular fácil.

Há um livro documentando a implosão profissional do cineasta, ocorrida quando ele reagiu mal às críticas dos executivos da Disney (berço inicial de Lady in the Water) ao sexto rascunho do script, o que acabou resultando na demissão da então presidente Nina Jacobs (hoje responsável pela franquia Jogos Vorazes) quando ele decidiu cortar o cordão umbilical com a casa do Mickey (após quatro hits consecutivos),  realocando o projeto na Warner.

A recepção gélida de crítica e público ao comercialmente bem-sucedido Fim dos Tempos e o escárnio vitriólico direcionado ao dispendioso O Último Mestre do Ar permanecem como uma cortina de fumaça a obscurecer seus dias passados de glória, entre 1999 até 2002.

Pode ser que o pessimismo – motivado pela premissa genérica e pelo material de divulgação insosso – seja dissipado após a estreia de Depois da Terra. Afinal, O Último Mestre do Ar era uma frivolidade infantil inconsequente, mas conduzida com esmero, pontuada por cenas inspiradas (o sacrifício da princesa do gelo supera em beleza e sentimento a totalidade de um Vingadores) e valores de produção de encher os olhos. Adotando um material supostamente denso e amadurecido em comparação, Shyamalan poderá fazer deste novo veículo para o estrelato do herdeiro de Will Smith uma ficção científica digna.

Ainda assim, no coração dos (poucos?) fãs que permaneceram fiéis nestes anos de vacas magras em termos artísticos, continua a palpitar o anseio pelo próximo roteiro 100% shyamalaniano em conteúdo e forma, na linha de O Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais e A Vila.

~ por Gustavo H.R. em 8 de março de 2013.