Capsulares #34

Código Desconhecido (Code inconnu/Michael Haneke/2000): um Crash intelectualizado, menos dependente de comoção. Explora a incomunicabilidade em níveis variados – entre classes sociais, nacionalidades, etnias, casais e familiares na França moderna. Tematicamente ambicioso, contido, focado – mas sem o punch de Caché. [Info]

Rango (Gore Verbinski/2011): pode-se torcer o nariz para o design dos personagens (exceto o titular), nunca para a qualidade inédita das texturas computadorizadas e da criatividade do inusitado conceito a unir faroeste, animação e um camaleão em crise de identidade. Estranha-se enquanto é assistido, dá saudades depois. [Info]

Elisa, Vida Minha (Elisa, Vida Mía/Carlos Saura/1977): considerado por alguns a obra-prima do mestre espanhol. Prefiro suas sensuais aventuras no mundo da dança – as quais, ao contrário deste drama doméstico estático e desinteressante sobre as mazelas pessoais de pai e filha, exalam vivacidade. [Info]

Silêncio (Chinmoku/Masahiro Shinoda/1971): quais consequências sofreu o povo japonês – tanto camponeses quanto governadores – face ao “presente indesejado” dos jesuítas a uma nação já praticante de uma filosofia, a budista? Morte e intranquilidade – para os padres católicos, inclusive. A visão de Shinoda é seca e árdua. [Info]

~ por Gustavo H.R. em 2 de novembro de 2012.