Oscar! Oscar! #3

Ano: 2007 (79th Academy Awards).

Ranking dos finalistas:

  1. Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Coen: aberto a infindas interpretações, permeado por ambigüidades na caracterização de personagens (Anton Chigurh seria a representação corpórea do Mal, da Morte, do Capitalismo, etc.) e sutis pontas soltas do enredo (vide a inconseqüência do mcguffin da maleta repleta de dinheiro). Os Coen, de uma tacada, enriquecem nossa matéria cinzenta com a colocação em pauta de assuntos relevantes a serem discutidos, assaltando nossos sentidos com um tratamento sofisticado que testemunhamos com cada vez menos freqüência em Hollywood.
  2. Sangue Negro, de P.T. Anderson: a experiência é inusual mesmo para os padrões do circuito independente estadunidense, conectando longos segmentos contemplativos a repentinas explosões de violência e humor negro. Paciência e compenetração auxiliam na apreciação, mas é por meio de obras assim – desafiadoras de convenções – que a arte se mantém viva e se renova.
  3. Desejo e Reparação, de Joe Wright: dribla as expectativas de seu público com classe: dá sinais de que tocará para frente um romance de época tradicional para, então, à medida que o novelo da trama urdido com cuidado se desenrola e adquire profundidade, mesmerizar os incautos com uma dolorida reflexão sobre possibilidade de expiação da culpa por meio da arte (no caso, literatura).
  4. Conduta de Risco, de Tony Gilroy: em vez das costumeiras frases-feitas e lições de moral inseridas a esmo, sem um pingo de sensatez, o esforço de Gilroy é focalizado em duas essencialidades básicas: personagens e enredo, sem afrouxar as rédeas que conduzem ambos com uma firmeza que evoca a de Michael Mann em O Informante, outro brilhante thriller urbano conduzido como se estivesse numa panela de pressão..
  5. Juno, de Jason Reitman: o frescor encontra-se na lucidez da autora ao identificar os pontos cegos das relações afetivas, optando por ir na contramão do besteirol descerebrado ainda em voga para tecer um enredo singelo, movido por pessoas de carne e osso – que erram, sentem e aprendem, ou não -, resultando numa comédia romântica de índole benéfica, de coração puro.

Venceu: Onde os Fracos Não Têm Vez. Dentre um trio de filmes que miravam alto, premiaram o que mais se aproxima da perfeição. Às vezes, a AMPAS acerta.

Deveria(m) ter sido indicado(s): Guerra Sem Cortes (Brian De Palma); Senhores do Crime (David Cronenberg).

~ por Gustavo H.R. em 21 de maio de 2012.

6 Respostas to “Oscar! Oscar! #3”

  1. Desde que acompanho o Cinema ano a ano, este talvez seja o meu favorito. Filmes muito muito bons indicados e não indicados. Meu preferido é Desejo e Reparação, mas gosto bastante dos outros também.

  2. Difícil escolher quem eu colocaria no topo dessa lista, mas acho que minha escolha seria Desejo e Reparação.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

  3. não consigo gostar de ‘juno’…

  4. Pense num ano bom para o Oscar, foi esse. Até hoje não sei dizer qual o melhor, se Onde Os Fracos Não Têm Vez ou Sangue Negro, ambos filmaços. Mas talvez o trabalho dos Coen me agrade um tantinho mais, não sei dizer por que. Além disso adoro essa fase de dramas românticos do Joe Wright, e Juno é um espetáculo de graça e sutileza. Ah se todo ano fosse assim…

  5. Esse ano foi sensacional! Três grandes filmes e outros dois que serão sempre lembrados. Não saberia em quem votar.

  6. Entre todos os finalistas, o único filme que ainda não vi foi “Sangue Negro”. Um erro que provavelmente corrigirei numa futura espiada na filmografia completa do cineasta. Achei a vitória de “Onde os Fracos Não Têm Vez” justa, creio que o filme seja até melhor do que “Desejo e Reparação” (um filme que não funcionou tão bem comigo quando fiz uma revisão). “Juno” é um filme acima da média, mas não sou muito fã da condução de Jason Reitman, acho-a fria. Por fim, “Conduta de Risco” é um filme que não recebi com muito entusiasmo, embora inegavelmente seja competente. Sem dizer que foi o filme que rendeu o Oscar para a Tilda Swinton – considero o melhor acerto da AMPAS nesta edição, aliás.

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