Top 10: Brian De Palma – 1ª versão

  1. Carrie – A Estranha (1976): cenas de pura antologia, como o infernal desfecho do baile de formatura (com notável uso da split-screen), o olhar vidrado de Carrie (Spacek) em estado homicida de choque mesclado com fúria, o último confronto entre ela e a mãe, uma fanática religiosa (Laurie). O horror, alocado no drama suscitado pela interação entre as personagens e pela exploração da personalidade de cada uma.
  2. Guerra Sem Cortes (2007): é o manifesto cinematográfico mais colérico, chocante, agressivo e direto levado à cabo por um cidadão cuja consciência política diante de uma situação que indignava (a Guerra do Iraque) impeliu-o a agir, a contribuir.
  3. Femme Fatale (2002): conduzida com voluptuosidade rítmica, visualizada através de um jogo de câmeras de sinuosidade equivalentes às curvas perigosas da engimática anti-heroína Laure Ash, a aventura repleta de erotismo, traição e violência a coloca na dianteira dos mocinhos, dos bandidos e do próprio público, divertindo-se às custas de todos – sem pedir desculpas, senhora absoluta de si, no controle de seus desígnios.
  4. Pecados de Guerra (1989)
  5. Scarface (1983): sem pudores em adentrar o pantanoso terreno do excesso (rótulos como “alegoria camp” ou“trash” volta e meia são associados à empreitada), o diretor garante um escopo épico à ascensão e à queda de Montana enquanto condiciona a expansiva progressão do enredo à energia hiperbólica do personagem.
  6. Síndrome de Caim (1992): este Psicose repleto de humor negro autoparódico mina convenções de thrillers comuns ao alternar, com frequência desorientadora, planos subjetivos, sonhos, flashbacks e troca de protagonistas, em sintonia com o tema do distúrbio de múltiplas personalidades.
  7. Dublê de Corpo (1984): luxúria, voyeurismo, criminalidade, inadequação, manipulação permeiam os enredos escritos ou selecionados pelo diretor, o qual, desvia da tentação de justificá-los por meio da advocacia de “teses” solenes, optando por deixar seus personagens à vontade para dar vazão às próprias obsessões, pouco importando se no final eles serão punidos ou absolvidos.
  8. O Fantasma do Paraíso (1974): legítimo clássico de culto, possuidor de imenso fator replay. A lamentar, apenas, um detalhezinho marginal: os 92 minutos de duração passam voando…
  9. Os Intocáveis (1987)
  10. Dália Negra (2006): aventura pulp guiada por um craque da câmera que fez o que se esperava do material-fonte de James Ellroy, lustrando-o com um brilho negro projetado por pequenas doses de camp que tornam o absurdo generalizado um deleite bizarro.

Θ Fora da lista: Irmãs Diabólicas (1973) | Trágica Obsessão (1976) | A Fúria (1978) | Vestida para Matar (1980) | Um Tiro na Noite (1981) | A Fogueira das Vaidades (1990) | O Pagamento Final (1993) | Missão: Impossível (1996) | Olhos de Serpente (1998) | Missão: Marte (2000).

√ Falta ver:  Saudações (1968) | Festa de Casamento (1969) | Oi, Mãe! (1970) | O Homem de Duas Vidas (1972) | Terapia de Doidos (1980) | Quem Tudo Quer, Tudo Perde (1986).

~ por Gustavo H.R. em 28 de outubro de 2011.

6 Respostas to “Top 10: Brian De Palma – 1ª versão”

  1. Eu conferi poucos dele … ‘Scarface’ acho fantástico, o melhor dentre os que vi, eu ainda aguardo por esse ‘Guerra Sem Cortes’ … e quanto ‘A Dália Negra’ achei um fiasco, não sei.

  2. Eu me junto ao seu coro de Dália Negra, considero um ótimo filme! De Brian assistir pouco (dessa longa lista, apenas os mais falados) e elaborar um ranking seria um despreparo diante das grandes obras desse diretor. Scarface, Carrie e Os Intocáveis são geniais.

  3. As Obras-Primas do Meste são O Pagamento Final, Um Tiro na Noite, Scarface e Os Intocáveis (dos que eu vi). Não vi esse Guerra sem Cortes e Carrie é o mais fraco pra mim.

  4. Uma excelente seleção.
    É uma pena que De Palma está um pouco perdido recentemente, a despeito de “Redacted”, que é um primor.
    Meu preferido do diretor é “O Fantasma do Paraíso”, fico embriagado toda vez que assisto.

    Passando aqui para conhecer o blog e parabenizá-lo pela entrada na SBBc. Seja muito bem-vindo, meu caro.
    Gostei muito do conteúdo daqui e voltarei mais vezes ;)

    Abs!

    • Também gostei da sua página no site do jornal, Elton, em especial do comentário sobre “Em um Mundo Melhor”. E obrigado pelas boas-vindas.

      “O Fantasma do Paraíso” é muito cativante. Tinha tudo para me desagradar, mas o filme é de uma inventividade sem fim. A trilha, então, é ótima, tenho três faixas no iPod.

Os comentários estão desativados.