Oscar! Oscar! #3

Ano: 2006.

Ranking dos indicados a Melhor Filme:

  1. Capote, de Bennett Miller: uma descrição sóbria do processo criativo e da personalidade de uma marcante figura literária. O biografado deu ao mundo sua obra-prima, mas sua estabilidade emocional foi consumida no caminho. Apresenta uma das mais bem cuidadas fotografias da década.
  2. Munique, de Steven Spielberg: um suspense político-histórico com consciência e mensagem. Quem se acostumou a esperar pura pieguice do diretor deve ter quebrado a cara. Pesaroso, contido e reflexivo – e que ganha pontos por desviar da rota do panfletarismo histriônico.
  3. Crash – No Limite, de Paul Haggis: de início, fiz coro junto ao time de detratores. Numa revisão, mudei de posicionamento. Sutileza não é a preocupação central do roteiro, e Haggis parece ter intuído que escancarar seus argumentos com altas doses de melodrama ampliaria a comunicação com seu público.
  4. O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee: uma love story transposta para o cinema com bom gosto em todos os departamentos, da música à escalação do elenco. Filmada num estilo discreto e conservador por Lee. O diferencial, talvez o único (e suficiente?), é o sexo dos protagonistas. 
  5. Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney: elegante preto-e-branco e meticulosa reconstituição de época transportam o público aos EUA paranoicos dos anos 50, quando a ‘caça às bruxas’ disseminava a paranoia anticomunista. Um jornalista televisivo decidiu peitar o Senador McCarthy. As críticas prometiam uma densidade eletrizante, que não consegui sentir.

Venceu: Crash – No Limite. Uma escolha pouco memorável dentre uma lista de finalistas sem inspiração. Capote e Munique, no meu modo de pensar, tinham méritos artísticos superiores, mas não distantes anos-luz do vencedor. O drama de denúncia social de Haggis é meio abaixo dos padrões, inclusive para a própria Academia. Os destaques do ano ficaram de fora – embora a Associação de Imprensa Estrangeira tenha indicado Marcas da Violência e O Jardineiro Fiel. Às vezes, os Globos de Ouro acertam na mosca.

Deveriam ter sido lembrados: Marcas da Violência (David Cronenberg), Caché (Michael Haneke), King Kong (Peter Jackson), O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles).

~ por Gustavo H.R. em 19 de setembro de 2011.

4 Respostas to “Oscar! Oscar! #3”

  1. Entre os 5, ficaria com Capote, até porque foi o que me marcou mais. Preciso rever Munique, não ficou nadinha na memória. Crash é um bom filme em qualquer tempo. O que será que o Paul Haggis anda fazendo? O imdb não dá nenhuma dica.

  2. Não vi Capote, mas Munique deveria vencer. e Acho Memorias de uma Gueixa um grande filme.

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