Capsulares #4

Eraserhead/David Lynch/1977: sou fã de carteirinha do velho topetudo, não nego a criatividade artesanal da produção nem faço vistas grossas às mórbidas metáforas sobre o medo da paternidade. Acontece que, apesar de reconhecer esses elementos responsáveis por torná-lo um cult incontestável, permaneci o tempo inteiro à beira da loucura, a ponto de arrancar o disco do aparelho e jogá-lo fora. Literalmente, um pesadelo. [Info]

A Faca na Água/Roman Polanski/1959: teste de masculinidade entre um jovem mulambento e um senhor de classe média diante da esposa deste, num pequeno veleiro. Clássico, “obra-prima”, metafórico, etc, é o que dizem opiniões bem-informadas. Voz do povo, voz de Deus? Estou na minoria, pois Polanski nada me fez sentir ao longo da sessão e nem sobre ela pensar depois. [Info]

Amor à Flor da Pele/Wong Kar-Wai/2000: amor reprimido, não consumado, sensualidade latente, enquadramentos e câmeras lentas elegantes, Maggie Cheung e Tony Leung deslumbrantes em seu affair silencioso. Deve ser um dos favoritos dos aficionados por romances. [Info]

~ por Gustavo H.R. em 6 de agosto de 2011.

5 Respostas to “Capsulares #4”

  1. Acho curioso (mas natural) isso, de reconhecer e entender o que faz de um filme o clássico ou cult que é, e simplesmente não gostar. ERASERHEAD é um filme que já tentei ver três vezes, todas com enorme disposição, mas não passei de uma hora de metragem. Ri do que você escreveu, mas concordo plenamente. É interminável (apesar da duração minúscula), com momentos absurdos embalados numa trilha de vento soprando, closes e giros de câmera bonitos, mas cansativos. Mas… vou esperar para vê-lo totalmente para dar um veredicto.

  2. hahahah tbm detesto Eraserhead!

  3. Gustavo, quando diz que Eraserhead lhe deixou à beira da loucura isso é ‘bom’ ou ‘ruim’? Quer dizer, foi de acordo com a intenção do diretor? Porque se a intenção era essa mesma talvez o filme merecesse uma nota melhor, não?

    • Prefiro não aumentar a nota do filme, pois assisti-lo foi desagradável e nojento e, mesmo tendo sido a intenção do diretor, não gostei do resultado nem o achei bom…

  4. Também admiro o Lynch, mas Eraserhead é um que ainda não vi. E olha, não sei quando vou fazer isso dps de ler o teu comentário e o do Mateus!

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