David 8

d8ccspoilerO androide David (xará do infante de silício spielbergiano) simula uma “personalidade” menos inescrutável do que certos críticos afirmam. A verdade é que o ser artificial merece o título de figura mais ardilosa em Prometheus, superando o “pai”, o obsessivo e prepotente Peter Weyland.

A capacidade de presciência de David espanta. Ele sugere que os filhos desejam os genitores mortos. Depois do falecimento de Weyland – seu fabricante e mestre -, ele seria livre. Mas David estava sendo sinedóquico. Com “pais”, quis dizer “humanos”. Seja pelo detalhismo preciso da composição de Michael Fassbender ou por instrução do escritor Damon Lindelof, trata-se de uma presença superior em complexidade e propósito do que Ash (O Oitavo Passageiro), Bishop (O Resgate) e Call (A Ressurreição).

No decorrer do longa, suas ações são marcadas pela duplicidade de popósito. Coloca a equipe em perigo para satisfazer as ordens de Weyland (trazendo a urna para dentro da espaçonave, estudando o líquido negro, infectando o preconceituoso Holloway), provavelmente sabendo que, cedo ou tarde, as coisas não iriam acabar bem para seu criador-escravizador.

David conseguia ler os hieróglifos alienígenas, acionar botões de comando na sala de navegação, até se comunicar com um Engenheiro. Em busca da autonomia, o brinquedinho humano automodelado a partir de Peter O’Toole em Lawrence da Arábia se confirma a um só tempo como vilão e anti-herói da trama. Daí o significado de sua frase favorita, também retirada do clássico de David Lean (outro homônimo!): o truque é não se importar com a dor. Esclareça-se: essa dor é a dos outros. Os fins (liberdade) justificam os meios (parricídio).

Casa-se à perfeição com outra preocupação de Lindelof: o conflito intergeracional. Percebe-se padrão semelhante entre Vickers e Weyland, os humanos e os Engenheiros, Shaw e o trilobita, o trilobita e o Engenheiro.

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~ por Gustavo H.R. em 5 de março de 2013.

2 Respostas to “David 8”

  1. “O truque é não se importar com a dor”! Falar é fácil, visto que um robot não sente. Mas será que essa ânsia de se libertar do poder paterno justifica tudo? David não quer só libertar-se do pai mas também de toda a população da nave porque acha que não precisa de ninguém. O mais curioso é que no fim precisa de um deles para continuar a “viver”. Estou curiosa para saber até onde irá esta personagem no próximo Prometheus!

    • Sim, essa necessária interdependência entre David e Elizabeth é um ponto de interrogação que atiça a curiosidade por “Paradise”. Resta torcer para que Ridley Scott não mude de ideia e abandone o barco…

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