A SEPARAÇÃO (JODAEIYE NADER AZ SIMIN/Asghar Farhadi/2011)
Os críticos prestaram um serviço valoroso ao enumerar os temas explorados por Farhadi: as consequências e o peso moral da verdade e da mentira, os contrastes de sexo e classe, a superficialidade e a impassibilidade da Justiça calcada na religião. Trouxeram à luz, inclusive, as qualidades cinematográficas do relato do diretor: a encenação que mantém os personagens separados num mesmo espaço, a montagem que a um só tempo permite fluidez e a construção da tensão, o comprometimento do elenco aos seus papéis, a resistência em tratar o público com condescendência, optando pela elipse estratégica ao suprimir ao menos uma cena crucial, deixar o final em aberto. Apesar de controlado, discreto, o drama é denso, favorecendo a apreensão seca em vez de lágrimas, irradiado ao público sem pressa porém com pulso firme.
Quem está desacostumado a ver obras oriundas de fora dos EUA deve confiar na opinião de quem afirma que, embora pertença ao circuito de ‘arte’ e seja iraniano, A Separação tem uma linguagem acessível que exprime preocupações humanas, portanto universais, cujo entendimento independe de localização geográfica. [Info] ![]()
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Melhor filme do ano! Uma obra-prima. Incrível o que Farhadi consegue fazer aqui. Um debate cheio de atuações intensas onde nenhum dos lados está somente certo como também todos estão errados do mesmo jeito. E construir uma narrativa que vai crescendo o nível da premissa até chegar num final nao menos que perfeito. Me surpreendi e muito. Que vença mais e mais prêmios.