Doce Pássaro da Juventude #1

•10/11/2009 • Deixe um comentário

infanciamclRéquiem Para um Sonho (Requiem For a Dream/Darren Aronofsky/2000)

Superior a Π, o primeiro filme do promissor Darren Aronofski [sic], Réquiem é uma viagem alucinada na qual os acompanhantes são quatro viciados em drogas. A reta final da viagem? O inferno. Pura e simplesmente. É um filme experimental, unusual [sic] no seu uso de edição, fotografia e música (o tema principal, que se repete diversas vezes, é fenomenal). [...] Enfim, um programa infinitamente melhor e mais profundo do que o pretensioso e light Traffic. E mais perturbador também – mesmo que a versão brasileira tenha sido a editada.

[Trecho de texto publicado no site Cinema em Cena em 3/3/2003]

→  Estritamente para fins de entretenimento dos leitores e autogozação do autor.

Ran (Akira Kurosawa/1985)

•07/11/2009 • 13 Comentários
Tatsuya Nakadai.

Tatsuya Nakadai.

A “caixa de Pandora” é escancarada quando um antigo senhor feudal, movido por um ingênuo anseio de tranquilidade no outono da vida, abdica do trono em favor de seus três filhos, após décadas de guerra ininterrupta e conquistas sangrentas. A discórdia brota da ambição por poder, instalando-se de imediato no seio familiar; disputas não tardam a começar. Sangue do mesmo sangue é derramado em cascatas – em determinadas cenas, literalmente. À tragédia humana Kurosawa empresta proporções shakespearianas (trata-se de uma livre adaptação de Rei Lear), e ao escopo formal, uma qualidade épica pesarosa.

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Missing – Desaparecido (Missing/Costa-Gavras/1982)

•04/11/2009 • 6 Comentários
Jack Lemmon.

Jack Lemmon.

Tão dramaticamente carregado quanto o aspecto de thriller histórico-político é o dilema de relacionamento entre os personagens principais (interpretados por Lemmon e Sissy Spacek, genro e nora antipatizantes na trama), assim como o gradual conhecimento do filho então distante e agora desaparecido pelo pai ausente durante sua busca e o processo de conscientização política deste. Os corpos das vítimas do golpe militar chileno, estirados seminus até no telhado de um hospital, compõem uma imagem de horror difícil de esquecer.

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O Reverso da Fortuna (The Reversal of Fortune/Barbet Schroeder/1990)

•01/11/2009 • 9 Comentários
fortunamulhollandcl

Jeremy Irons e Glenn Close.

O mistério impenetrável de um frio jogo de aparências, armado por um aristocrata esquivo,  que pode ou não ter induzido a esposa ao coma, cuja verdadeira personalidade permanece sempre insondável aos demais personagens e ao público, dissimulada por uma fachada afetadamente irônica. A satisfação provém da natureza enigmática e faceira do protagonista, melhor explorada pelo roteiro (galardoado com uma justa indicação ao Oscar) do que pela condução sem lampejos de virtuosismo do diretor franco-suiço.

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Atração Fatal (Fatal Attraction/Adryan Lyne/1987)

•29/10/2009 • 11 Comentários
atracaomulhollandcl

Glenn Close e Michael Douglas.

Outro título apropriado a este thriller histriônico do sumido Lyne seria “Estrada para Perdição”, pois é o caminho percorrido por um conquistador de meia idade (papel então invariavelmente reservado a Douglas), que acaba por carregar consigo, a tiracolo, sua bela família. Embora se escore em jogadas um tanto previsíveis do roteiro, a tensão é mantida lá no alto pela eletrizante edição e pela lunática carente afetiva em pele de cordeiro encarnada com garra por Close, na época uma atriz requisitada e bem aproveitada por Hollywood.

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Momentos de Antologia #2

•27/10/2009 • 6 Comentários

Veludo Azul (Blue Velvet/David Lynch/1986)

•24/10/2009 • 16 Comentários
veludomulhollandcl

Isabella Rossellini.

Perversamente funcional tanto como sátira neo-noir à superficialidade do american way of life dos subúrbios quanto na condição de perturbador conto de tonalidades edipianas sobre o ingresso no mundo adulto e o despertar sexual, pontuado por cenas de demência e sadomasoquismo. Em meio à abrangência temática, nota-se um senso de humor insuspeito de irreverente estranheza. Arriscando-se a angariar reações inflamadas, Lynch choca, tanto pela audácia de suas imagens remetentes a um pesadelo onírico (antecipando o  crescente surrealismo que viria a assinalar suas investidas posteriores) quanto pela intensidade palpável nas caracterizações do elenco.

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A Tara Maldita (The Bad Seed/Mervyn LeRoy/1956)

•21/10/2009 • 9 Comentários
taramulhollandcl

Nancy Kelly "estapeia" Patty McCormack.

Caso patente de roteiro minado por equívocos básicos, como figuras unidimensionais – a mãe é a santa sofredora que demora demais para perceber o óbvio e agir; a pentelha maligna se porta de maneira tão mecânica que lembra um androide, escancarando-se desde o início que há algo de fundamentalmente errado com ela. A discussão que poderia gerar (a criminalidade em infantes seria herança genética ou fruto do ambiente?), junto do fator tabu a rondar a premissa, acaba diluída pela inexpressividade da atmosfera inofensiva.

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Possuídos (Bug/William Friedkin/2006)

•18/10/2009 • 8 Comentários
possuidosmulhollandcl

Ashley Judd e Michael Shannon.

Retrato desolador e sem filtragens populistas da solidão, paranoia, histeria contagiosa e loucura. Friedkin arremessa o público num radical ensaio sobre a degeneração irreversível da mente. Se, enquanto “arte fílmica”, ostenta atributos elogiáveis que denotam competência e integridade, o mesmo não se pode dizer da experiência que proporciona. É ingrata, de um desconforto ímpar, sufocante – em razão de evitar clichês que aliviariam a barra do pagante, uma faca de dois gumes. A ideia de revisitá-lo é desanimadora. Caso lessem, os realizadores poderiam tomar isso por elogio.

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Rede de Intrigas (Network/Sidney Lumet/1976)

•15/10/2009 • 20 Comentários
redemulhollandcl

Peter Finch.

O histrionismo, a falta de caráter, a busca incessante por índices crescentes de audiência, enfim, a torrente de maquinações escandalosas encerra um potencial destrutivo sem paralelos com outras produções que pretenderam explorar os bastidores da indústria corporativista do entretenimento televisionado. O tema subjacente é a desumanização, emblematizada pela personagem de Faye Dunaway, partilhada pelos demais – inclusive o público consumidor, cuja mentalidade é moldada pelo conteúdo bastardizado veiculado no tubo mágico.

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