Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds/Quentin Tarantino/2009)

•23/11/2009 • 16 Comentários

Mélanie Laurent.

Antissemitas ou alienados à parte, é razoável supor que lavaríamos nossas almas do genocídio perpetrado pelos nazistas durante a II Guerra Mundial se houvesse a oportunidade da desforra. Mandando às favas a solenidade reverente comumente adotada em abordagens fílmicas do tema, ainda que nem por um segundo inconsequente, Tarantino articula um subversivo banho de sangue (derramado pelos hitleristas, promovido por judeus) que dá vazão a esse ímpeto expiatório da plateia. A face vingada de Laurent, em regozijo triunfante, projetada numa cortina de fumaça durante uma sessão de cinema em chamas, é memorável imagem-síntese numa obra de estética erudita e cerne rico em implicações significativas.

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Dreamgirls – Em Busca de um Sonho (Dreamgirls/Bill Condon/2006)

•20/11/2009 • 9 Comentários
dreamgirlsmulhollandcinelog

Beyoncé Knowles, Jennifer Hudson e Anika Noni Rose.

Musical que é um show para os olhos e uma decepção para os ouvidos – evidentemente dependendo, neste caso, do gosto pessoal do espectador. As canções agradam, mas o repetório ressente-se de faixas “cantaroláveis”. A energia criativa dos realizadores foi alocada na concepção de cenários, guarda-roupas, iluminação – esfuziantes -, pois os conflitos dos personagens soam rarefeitos. Representante do entretenimento talhado ao consumo imediato, ostenta uma estética artificial e um feeling frenético de videoclipe. Se era a modesta (formulaica) ambição de Condon, conseguiu levá-la a cabo.

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2012 (Roland Emmerich/2009)

•17/11/2009 • 21 Comentários

2012mcl

O mundo acaba em clichês.

Emmerich, “pasteleiro” ex-talentoso, costuma ser alvo de canetadas ferinas pela crítica especializada. O tratamento dispensado ao entertainer alemão era demasiado impiedoso até O Patriota. A partir do morno O Dia Depois de Amanhã, culminando agora com 2012, os detratores riem por último, pois o longa é inepto a ponto das antigas diatribes ganharem sentido. Sustentado num roteiro simplório, o diretor amontoa sequências apocalípticas portentosas esquecendo-se de dar liga entre elas, sem criar tensão, o que resulta em múltiplos clímaxes cuja força se dilui. Nem a aprumada composição cênica observável em Godzilla, O Patriota e ID4 se faz notar. Com o perdão do trocadilho batido como os clichês da fita, um desastre.

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Império do Sol (Empire of the Sun/Steven Spielberg/1987)

•14/11/2009 • 11 Comentários
Christian Bale.

Christian Bale.

Epicamente fotografada por Allen Daviau, a transposição para película do best-seller autobiográfico de J.G. Ballard comove por sua beleza pictória e pela intimidade de Spielberg com histórias baseadas na capacidade de superação humana e no anseio do retorno ao lar. Num mundo onde parte do público é dessensibilizada por produções envernizadas com doses tóxicas de cinismo, um genuíno tear-jerker (arranca-lágrimas) de guerra narrado do ponto de vista de uma criança em processo de amadurecimento forçado pode ser interpretado como uma peça de antiquário.

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Jogos & Trapaças #2

•12/11/2009 • 18 Comentários
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♣ Matou a charada: Vinícius Laurindo.

◊ Pista: máfia russa.

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♣ Matou a charada: Vinícius Laurindo.

◊ Pista: vidente cega.

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♣ Matou a charada: Vinícius Laurindo.

◊ Pista: olho de vidro.

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quizcec09

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♣ Matou a charada: Fabiano Augusto.

◊ Pista: resgate à moça “sequestrada”.

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quizcec21

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♣ Matou a charada: Vinícius Laurindo.

◊ Pista: amigos, amigos, vinhos à parte.

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Doce Pássaro da Juventude #1

•10/11/2009 • 4 Comentários

infanciamclRéquiem Para um Sonho (Requiem For a Dream/Darren Aronofsky/2000)

Superior a Π, o primeiro filme do promissor Darren Aronofski [sic], Réquiem é uma viagem alucinada na qual os acompanhantes são quatro viciados em drogas. A reta final da viagem? O inferno. Pura e simplesmente. É um filme experimental, unusual [sic] no seu uso de edição, fotografia e música (o tema principal, que se repete diversas vezes, é fenomenal). [...] Enfim, um programa infinitamente melhor e mais profundo do que o pretensioso e light Traffic. E mais perturbador também – mesmo que a versão brasileira tenha sido a editada.

[Trecho de texto publicado no site Cinema em Cena em 3/3/2003]

→  Estritamente para fins de entretenimento dos leitores e autogozação do autor.

Ran (Akira Kurosawa/1985)

•07/11/2009 • 14 Comentários
Tatsuya Nakadai.

Tatsuya Nakadai.

A “caixa de Pandora” é escancarada quando um antigo senhor feudal, movido por um ingênuo anseio de tranquilidade no outono da vida, abdica do trono em favor de seus três filhos, após décadas de guerra ininterrupta e conquistas sangrentas. A discórdia brota da ambição por poder, instalando-se de imediato no seio familiar; disputas não tardam a começar. Sangue do mesmo sangue é derramado em cascatas – em determinadas cenas, literalmente. À tragédia humana Kurosawa empresta proporções shakespearianas (trata-se de uma livre adaptação de Rei Lear), e ao escopo formal, uma qualidade épica pesarosa.

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Missing – Desaparecido (Missing/Costa-Gavras/1982)

•04/11/2009 • 6 Comentários
Jack Lemmon.

Jack Lemmon.

Tão dramaticamente carregado quanto o aspecto de thriller histórico-político é o dilema de relacionamento entre os personagens principais (interpretados por Lemmon e Sissy Spacek, genro e nora antipatizantes na trama), assim como o gradual conhecimento do filho então distante e agora desaparecido pelo pai ausente durante sua busca e o processo de conscientização política deste. Os corpos das vítimas do golpe militar chileno, estirados seminus até no telhado de um hospital, compõem uma imagem de horror difícil de esquecer.

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